Se alguém, neste momento, me perguntasse o que é a vida, eu pediria um tempo para amadurecer meus conceitos, viver mais e, quem sabe, compreender o que ela realmente é.
Porém, neste instante, responderia de forma simples.
Imagino a vida como uma canção desconhecida, uma melodia que nunca ouvimos e cuja duração não sabemos. Quando ela começa a tocar, encantamo-nos com o som dos instrumentos, das vozes e com as mudanças de ritmo e intensidade. Ela traz acordes maiores, que transmitem alegria, mas também notas menores e dissonantes, capazes de despertar melancolia, tristeza, emoções e boas lembranças.
Essa canção é única e não queremos que ela termine. Alguns instrumentos se despedem enquanto outros chegam. Uns trazem sons alegres e harmoniosos; outros, desafinados e com timbres difíceis de suportar.
Em certos momentos, a harmonia se desorganiza, mas é corrigida por um grande diapasão, que, aos poucos, vai afinando os instrumentos. O ritmo também entra em conflito e a canção se torna exaustiva. Então entra em cena o metrônomo, mostrando pacientemente a cada instrumento o compasso que deve seguir.
Aqueles que vivem essa música se alegram com a orquestra e se realizam com a chegada de novos sons, acordes e instrumentos. A tristeza também se faz presente quando sons queridos se silenciam para sempre, deixando um vazio permanente na canção.
A grande dúvida é como essa música terminará. Será um final suave? Um término abrupto? Um ritmo de samba ou um rock pesado? Será que a canção realmente chega ao fim?
Acredito que a música não termina no último acorde. O silêncio que surge talvez seja apenas uma pausa para que a canção continue em uma nova faixa. Gosto de acreditar que, um dia, todos os instrumentos voltarão a se encontrar e, em perfeita harmonia, conseguirão compor novamente a mesma sinfonia.
Francis Guimarães

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