A vida muda o nosso olhar

Se pudéssemos voltar ao passado com a visão de mundo, as experiências e o conhecimento que temos hoje, como teríamos vivido? Quem seríamos agora?

Nas minhas noites intermináveis de insônia, mergulho em um turbilhão de pensamentos e me pego refletindo sobre as grandes transformações internas que ocorreram ao longo do tempo. Penso nas prioridades que já não são as mesmas de dez anos atrás e nas ilusões que carregava há 15 ou 20 anos.

Hoje, sei que o mundo não é tão belo quanto eu imaginava. Descobri que os verdadeiros amigos são mais raros do que supunha e que tristezas e angústias fazem parte da condição humana.

Com o passar do tempo, entendi que os sorrisos são valiosos, mas que as lágrimas, por mais dolorosas que sejam, também têm um propósito. Elas nos ensinam a ser mais fortes.

Se pudesse voltar ao passado, teria valorizado mais aqueles que realmente me amaram e me deram valor, pessoas que, muitas vezes, não percebi em sua total importância. Ouviria com mais atenção os conselhos daqueles que hoje vivem apenas na minha memória e aplicaria suas lições na minha vida. Compreenderia que os tapinhas nas costas e as falsas risadas não tinham valor real.

Talvez tivesse pensado mais em mim mesmo. Teria cultivado mais amor-próprio, cuidado melhor de quem sou. Talvez hoje fosse uma versão melhor de mim, estivesse em lugares ainda não alcançados e carregasse menos feridas para tratar.

Mas acredito que tudo isso faz parte do nosso processo evolutivo. Tudo tem seu tempo.

Lembro-me de uma frase do pensador Arthur Schopenhauer, que ouvi há dez anos e à qual me opus veementemente: “A vida é dor e sofrimento.” Curioso como hoje compreendo o significado dessa reflexão. Cabe a nós fazer a nossa parte, colorir os dias com a máxima tranquilidade e alegria, aprendendo a viver e conviver com as dores e os desafios, sendo o mais resiliente possível.

Hoje, ao olhar para minha história, consigo enxergar meus tropeços e minhas fraquezas. Tento ser melhor, não apenas para mim, mas também para minha família, minha esposa e minha filha.

E então me pergunto:

Quem serei daqui a 10, 20 ou 30 anos?

Será que, olhando para trás, enxergarei erros que hoje ainda não consigo ver?

Darei mais valor às coisas que hoje não reconheço como preciosas?

Quem me tornarei a partir da história que estou construindo agora?

Francis Guimarães

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